Firmes PilaresEstava muito frio, e eu me encolhi mais pra perto dele, nos cobrindo com o edredon e a colcha ao mesmo tempo. Sentia muita dor no ombro direito, então me mantinha deitada de barriga pra cima, enquanto ele - de lado - me abraçava. Fiz carinho nele com o rosto, e pedi baixinho.
- Namora comigo?
Ele olhou pra mim, sem conseguir me focalizar diretamente no escuro, e perguntou:
- Agora?
- É...
Houve um instante de silêncio antes que ele assentisse e me beijasse delicadamente. O beijei de volta, fazendo mais peso do que gostaria sobre o ombro, e lentamente, enquanto os lábios se encostavam consegui me virar para ele. A mão dele correu por debaixo do casaco que eu usava pra dormir, segurando meu seio esquerdo firmemente por um momento e depois me acariciando os mamilos com a ponta dos dedos. Ele levantou as peças de roupa que eu usava enquanto descia com os beijos pelo meu pescoço, e sua mão correu para dentro da calça do meu pijama.
Ele tocou meus seios com seus lábios e eu suspirei, excitada. Sua mão acariciava de leve sobre meu sexo, e minha respiração ia se tornando pesada conforme ele me tocava. Havia uma ternura na maneira como ele me encostava que eu não sentia há muito tempo, e puxei-o mais para perto, tentando abraçá-lo. Ele continuava me fazendo carinho, me ajudando a me livrar das roupas, e até que eu me virei para ele, o abraçando forte, passando uma das minhas perna sobre as dele. Podia sentir o sexo dele roçando em minha coxa, enquanto ele me beijava insistentemente. Eu passava o tempo todo minha mão esquerda pelas costas dele, tocando a pele de leve.
Levantei para ir até o armário e aproveitei para me livrar do casaco incomodo. Entreguei o preservativo na mão dele, mas reclamei da idéia dele o colocar... "Não precisamos começar agora"... Continuamos a nos beijar, fazendo carinhos, o escuro nos envolvendo. Aos poucos, fomos tentando nos encaixar, mudando algumas vezes de posição antes de optar pelo básico.
Aos poucos fui reparando que não era preciso falar: nossos pensamentos estavam plenamente conectados, e as palavras eram apenas para ouvirmos a voz um do outro. Nossa respiração era ritmada, meus braços em torno do corpo que ele precisava manter erguido para não me machucar com seu peso. Procurávamos nossos lábios, beijos seguidos por outros beijos, os sentidos se intensificando um por um: audição, olfato, paladar, visão e tato, até se tornarem intensos e insuportáveis demais para não serem externados. Não pude evitar alguns gemidos mais altos enquanto liberava uma quantidade de energia imensa no corpo, sentindo o mundo a minha volta desaparecer, sendo substituido por um breu imenso que parecia o céu nublado acima da casa.
Quando finalmente toda aquela energia conseguiu se canalizar para fora, pude sentir lentamente que eu voltava ao meu corpo, uma ânsia desesperada de tocar e sentir o homem ao meu lado. Nos apertamos em um abraço sem fim, os lábios sendo pressionados um contra o outro, e o ouvi dizer "eu te amo" por inumeras vezes seguidas... Pra mim, parecia que se eu me afastasse, iria me desfazer completamente. Deixei-me virar de lado sem que o corpo dele descolasse do meu, e aproveitei para fazer carinho nas costas dele, no cabelo, os beijos continuando, as lágrimas emocionadas rolando pelo meu rosto enquanto ele também acariciava minhas costas, se apertando contra mim.
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Retratos da vida cotidiana.